O Flamengo enfim conquistou sua primeira vitória no Campeonato Brasileiro. Mas a pergunta que fica após o 2 a 1 sobre o Vitória, no Barradão, é simples: até quando o time vai sobreviver apenas na eficiência?
O placar mostra um Flamengo letal. A atuação, porém, escancara um time preocupante.
Vitória dominou o jogo
Durante boa parte da partida, especialmente no segundo tempo, o Vitória foi superior física e territorialmente. Pressionou, ocupou o campo ofensivo, empurrou o Flamengo para trás e só não saiu com um resultado melhor por falta de qualidade nas decisões finais.
O Flamengo finalizou apenas duas vezes no primeiro tempo. Fez dois gols. Foi cirúrgico? Sim. Mas também foi passivo.
Time que briga por título não pode depender exclusivamente de 100% de aproveitamento nas poucas chances criadas.
Meio-campo inexistente
O setor de criação foi, novamente, um problema. Arrascaeta pouco participou. Paquetá, no jogo 100 com a camisa rubro-negra, teve atuação apagada e saiu cedo. A equipe ficou espaçada, sem controle de ritmo e incapaz de sustentar posse de bola quando pressionada.
O Vitória sobrava fisicamente. Isso, para um elenco do tamanho e investimento do Flamengo, é inadmissível.
Rossi salvou uma atuação preocupante
Se o Flamengo saiu com os três pontos, passa diretamente pelas mãos de Rossi. A defesa do pênalti de Renato Kayzer foi o ponto de virada emocional da partida. Sem aquela intervenção, o empate era questão de tempo.
É sintomático que o melhor jogador do Flamengo tenha sido o goleiro em um jogo contra um time que não é candidato ao topo da tabela.
Problemas defensivos e postura reativa
Após abrir 2 a 0, o Flamengo recuou excessivamente. Aceitou a pressão. Permitiu cruzamentos, infiltrações e transições rápidas. A defesa sofreu mais do que deveria.
Filipe Luís ainda busca identidade para a equipe. Mas o que se viu foi um Flamengo reativo, desconectado e vulnerável.
Vitória com mais volume e mais coragem
Mesmo derrotado, o Vitória mostrou organização e intensidade. Faltou criatividade no último passe, mas sobrou entrega. O Flamengo, por outro lado, pareceu confortável demais em administrar um resultado mínimo.
Esse tipo de postura cobra preço ao longo da competição.
Conclusão
O Flamengo venceu. Somou três pontos. Respira na tabela.
Mas futebol não é só resultado imediato. O desempenho preocupa. Um elenco desse nível não pode depender de dois chutes e um pênalti defendido para vencer.
Se quiser disputar o título de verdade, o Flamengo precisará jogar mais. Muito mais.
Porque nem sempre a eficiência vai mascarar a falta de futebol.








