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Análise de Daniel Schmitt: Flamengo ganha no placar mas passa vergonha no desempenho

O Flamengo enfim conquistou sua primeira vitória no Campeonato Brasileiro. Mas a pergunta que fica após o 2 a 1 sobre o Vitória, no Barradão, é simples: até quando o time vai sobreviver apenas na eficiência?

O placar mostra um Flamengo letal. A atuação, porém, escancara um time preocupante.

Vitória dominou o jogo

Durante boa parte da partida, especialmente no segundo tempo, o Vitória foi superior física e territorialmente. Pressionou, ocupou o campo ofensivo, empurrou o Flamengo para trás e só não saiu com um resultado melhor por falta de qualidade nas decisões finais.

O Flamengo finalizou apenas duas vezes no primeiro tempo. Fez dois gols. Foi cirúrgico? Sim. Mas também foi passivo.

Time que briga por título não pode depender exclusivamente de 100% de aproveitamento nas poucas chances criadas.

Meio-campo inexistente

O setor de criação foi, novamente, um problema. Arrascaeta pouco participou. Paquetá, no jogo 100 com a camisa rubro-negra, teve atuação apagada e saiu cedo. A equipe ficou espaçada, sem controle de ritmo e incapaz de sustentar posse de bola quando pressionada.

O Vitória sobrava fisicamente. Isso, para um elenco do tamanho e investimento do Flamengo, é inadmissível.

Rossi salvou uma atuação preocupante

Se o Flamengo saiu com os três pontos, passa diretamente pelas mãos de Rossi. A defesa do pênalti de Renato Kayzer foi o ponto de virada emocional da partida. Sem aquela intervenção, o empate era questão de tempo.

É sintomático que o melhor jogador do Flamengo tenha sido o goleiro em um jogo contra um time que não é candidato ao topo da tabela.

Problemas defensivos e postura reativa

Após abrir 2 a 0, o Flamengo recuou excessivamente. Aceitou a pressão. Permitiu cruzamentos, infiltrações e transições rápidas. A defesa sofreu mais do que deveria.

Filipe Luís ainda busca identidade para a equipe. Mas o que se viu foi um Flamengo reativo, desconectado e vulnerável.

Vitória com mais volume e mais coragem

Mesmo derrotado, o Vitória mostrou organização e intensidade. Faltou criatividade no último passe, mas sobrou entrega. O Flamengo, por outro lado, pareceu confortável demais em administrar um resultado mínimo.

Esse tipo de postura cobra preço ao longo da competição.

Conclusão

O Flamengo venceu. Somou três pontos. Respira na tabela.

Mas futebol não é só resultado imediato. O desempenho preocupa. Um elenco desse nível não pode depender de dois chutes e um pênalti defendido para vencer.

Se quiser disputar o título de verdade, o Flamengo precisará jogar mais. Muito mais.

Porque nem sempre a eficiência vai mascarar a falta de futebol.

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