Suspeita de falsificação de remédio para tratamento de câncer leva polícia à empresa de SC
por ECX Online
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul investiga se uma empresa de Santa Catarina importou e revendeu remédio para o tratamento de câncer falsificado. Agentes gaúchos estiveram no local nesta quinta-feira (8) para recolher documentos e amostras que possam ajudar a esclarecer o caso. Não houve nenhuma prisão.
O caso veio à tona após um paciente conseguir na Justiça que a prefeitura da cidade onde mora, no Rio Grande do Sul, comprasse para ele Lorlatinib, um medicamento não disponível pelo SUS. A Secretaria de Saúde fez a aquisição com a empresa de Itajaí e entregou o remédio para o homem com leucemia.
Depois de 20 dias tomando os comprimidos, o paciente voltou ao consultório com as cartelas e disse ao médico que o remédio não estava surtindo efeito. “O médico disse que, apesar de a caixa parecer regular, as cartelas dos remédios não eram compatíveis com aquela edicação”, conta a Polícia Civil do RS.
A Secretaria de Saúde e o próprio paciente procuraram a delegacia para relatar o caso. No decorrer das investigações, a polícia notou que as cartelas parecem ser de um doce popular na China. Os medicamentos vão passar por perícia da Polícia Científica a partir de agora.
“Mais do que uma possível fraude comercial, estamos diante de uma situação que pode colocar em risco a saúde de pessoas que dependem de um tratamento médico”, afirmou a delegada Milena Simioli.
A Polícia Civil disse que pesquisas realizadas em bases de dados e fontes comerciais estrangeiras identificaram no material correspondência com a expressão chinesa associada a bala macia/soft candy sabor taro. Citou ainda que há coincidências e, em comparação fotográfica, realizada exclusivamente para fins investigativos, também foram observadas semelhanças entre o material apreendido e imagens do produto comercializado na China.
Durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão em Itajaí, os agentes não encontraram medicamentos como os fornecidos ao paciente gaúcho, mas apreenderam documentos para ajudar na investigação.
“A Polícia Civil ressalta, contudo, que a investigação ainda depende de exame pericial para determinar de forma conclusiva a identidade e a composição do conteúdo apreendido”, disse a corporação gaúcha. Também não se descarta a hipótese de a própria empresa de Itajaí ter sido enganada.








